quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Misticismo


Misticismo (do grego μυστικός, transl. mystikos, um iniciado em uma religião de mistérios) é a busca da comunhão com a identidade, com, consciente ou consciência de uma derradeira realidade, divindade, verdade espiritual, ou Deus através da experiência direta ou intuitiva.[1]
Do livro de Jakob Böhme "O Príncipe dos Filósofos Divinos"[2], o misticismo se define por: o misticismo, em seu mais simples e essencial significado, é um tipo de religião que enfatiza a atenção imediata da relação direta e íntima com Deus,ou com a espiritualidade, com a consciência da Divina Presença. É a religião em seu mais apurado e intenso estágio de vida. O iniciado que alcançou o "segredo" foi chamado um místico. Os antigos cristãos empregavam a palavra "contemplação" para designar aexperiência mística.
"O místico é aquele que aspira a uma união pessoal ou a unidade com o Absoluto, que ele pode chamar de Deus, Cósmico, Mente Universal, Ser Supremo, etc. 
A palavra "místico" era empregada pela primeira vez no Mundo Ocidental, nos escritos atribuídos a Dionysius, o Aeropagite, que apareceu no final do século V. Dionysius empregou a palavra para expressar um tipo de "Teologia", mais do que uma experiência. Para ele e para muitos intérpretes, desde então, o misticismo se baseava em uma teoria ou sistema religioso que concebe Deus como absolutamente transcendente, além da Razão, do pensamento, do intelecto e de todos os processos mentais.
A palavra, desde então, tem sido usada para os tipos de "conhecimento" esotérico e teosófico, não suscetiveis de verificação. A essência do misiticismo é a experiência da comunicação direta com Deus.
A palavra misticismo tem origem no idioma Grêgo μυστικός = "iniciado" (nos "Mistérios de Eleusinian", μυστήρια = "mistérios", referindo-se as "Iniciações"[4]) é a busca para alcançar comunhão ou identidade consigo mesmo, lucidez ou consciência da realidade última, do divinoVerdade espiritual, ou Deus através da experiência direta, intuição, ou insight; e a crença que tal experiência é uma fonte importante deconhecimento, entendimento e sabedoria. As tradições podem incluir a crença na existência literal de realidades empíricas, além da percepção, ou a crença que uma verdadeira percepção humana do mundo trancenda o raciocínio lógico ou a compreensão intelectual.
O termo "misticismo" é freqüentemente usado para se referir a crenças que são externas a uma religião ou corrente principal, mas relacionado ou baseado numa doutrina religiosa da corrente principal. Por exemplo, Kabala é a seita mística dominante do judaísmo, Sufismo é a seita mística do Islã, e Gnosticismo refere geralmente a várias seitas místicas que surgiram como alternativas ao cristianismo. Enquanto religiões do Oriente tendem a achar o conceito de misticismo redundante, e o conhecimento tradicional e ritual são considerados como Esotericos, por exemplo, Vajrayana e Budismo.

Definição

Uma definição de misticismo não poderia ser ao mesmo tempo significativa e de abrangência suficiente para incluir todos os tipos de experiências que têm sido descritas como "místicas".
Por definição natural, misticismo é a prática, estudo e aplicação das leis que unem o homem à Natureza e a Deus.
Desta forma, a Mística se distingue da Religião por referir-se à experiência direta e pessoal, com a divindade, com o transcendente, sem a necessidade de intermediários, dogmas ou de uma Teologia.

Na teologia

Conjunto de práticas religiosas que levam à contemplação dos atributos divinos. Estado natural ou disposição para as coisas místicas, religiosas; religiosidade.
Citando o livro "O Mundo de Sophia", quando fala sobre Misticismo:
Uma experiência mística significa experimentar a sensação de fundir sua alma com Deus. É que o "eu" que conhecemos não é nosso "eu" verdadeiro e os místicos procuravam conhecer um "eu" maior que pode possuir várias denominações: Deus, espírito cósmico, universo, etc. No entanto, para chegar a esse estado de plenitude, é preciso passar por um caminho de purificação e iluminação através de uma vida simples. Encontra-se tendências místicas nas maiorias religiões do mundo. Na mística ocidental ( judaísmo, cristianismo e islamismo ), o místico diz que seu encontro é com um Deus pessoal. Na oriental ( hinduísmo, budismo e religião chinesa ) o que se afirma é que há uma fusão total com deus, que é o espírito cósmico. É importante notar que essas correntes místicas já existiam muito antes de Platão e que pessoas de nossa época têm relatado experiências místicas como uma forma de experimentar o mundo sob a perspectiva da eternidade. (O Mundo de Sophia).
As correntes místicas pregam a experiência direta do divino, comumente chamada de experiência mística, e muitas vezes descrita como iluminação. A experiência mística é um estado de consciência em que o místico tem um vislumbre daquilo que está além deste plano físico, e muitas vezes é descrito como união com o Todo. Isto só pode ser alcançado, segundo os místicos, por uma disciplina espiritual que visa distanciar-se das coisas mundanas.
Muitas vezes a experiência mística é descrita por aqueles que a sentem como uma "visão ou percepção direta de Deus". Tais fenômenos estão presentes tanto no Velho Testamento quanto no Novo Testamento da Bíblia e na cultura oriental (budismohinduísmoyoga, etc.).
O místico procura na prática espiritual e no estudo das coisas divinas, mais que na racionalidade, as bases para suas concepções de vida, embora muitas vezes o misticismo esteja envolvido com intrincados sistemas que o fundamentam. Este é o caso da Cabala, a tradição esotérica dos judeus.
experiência mística é o modo como o místico entra em contato com o Divino.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O que é a cabala judaica?

A cabala (receber em hebraico) é um corpo de sabedoria mística que por muito tempo foi mantida como um segredo para o mundo. Durante milênios foi proibida para as mulheres e considerada um conhecimento secreto do judaísmo. Segundo a mitologia hebraica, a cabala foi dada por Deus a Moisés, ou pelo anjo Raziel a Adão, sendo depois transmitida oralmente de geração em geração. A cabala é um sistema metafísico através do qual o iniciado (ou buscador) conhecerá Deus e o universo. Deus, dentro do Judaísmo, preenche e contém o universo. É conhecido como “Ein Sof”, que pode ser traduzido como “o infinito”.

O rabino Leonardo Alanati, da Congregação Israelita Mineira, explica esse conhecimento de 2.200 anos.

O que é a cabala?

O misticismo judaico, também conhecido como cabala, consiste em um conjunto de ensinamentos orais, textos e práticas que foram transmitidas por mestres iluminados. Ele contém uma reinterpretação revolucionária do texto bíblico através de uma simbologia complexa e de uma linguagem ambígua e até erótica que pode desestabilizar a razão e a fé dos menos preparados. A cabala é uma maneira de experienciar a religião judaica e suas crenças. É colocar em prática a sabedoria sagrada com a finalidade de sentir o divino mais próximo. É um contato direto com a presença de Deus, a sua essência. Costumamos dizer que o homem necessita abrir sete cortinas para entrar em contato com a realidade, com a essência de tudo, até a união mística.

Como isso pode ser feito?

Através do estudo diário das técnicas de meditação que levam a um contato direto com Deus. É como uma gota retornando ao oceano, de volta à realidade divina. Não é um processo fácil. Dentro do misticismo judaico existe um lado de Deus, o “Ein Sof”, que é totalmente inacessível e incompreensível racionalmente. Por outro lado, para tornar-se ativo e criativo, Deus criou as dez sefirot ou inteligências. As sefirot dentro de nós. As sefirot formam a Árvore da Vida, que não é apenas uma metáfora vertical em relação a Deus. Em sua representação horizontal ela representa os aspectos de Deus existentes dentro de nós.

O que é a Árvore da Vida?

É um mapa para entendermos a manifestação de Deus. O Deus que saiu de si, se desdobrou para criar o universo. Cada sefirot é um aspecto da natureza de Deus. Elas nos ajudam a entender o mapa de como Deus atua no universo. Elas são, na verdade, um mapa de Deus manifesto no homem e na natureza. O micro imita o macro. Através da compreensão das sefirot, podemos entender as características humanas nos relacionamentos interpessoais e como esses aspectos influenciam nossas interações com o outro. Como Deus se manifesta também na natureza, devemos ficar atentos para preservarmos o meio ambiente, pois cada aspecto da natureza pode ser um portal para um contato com Deus: uma flor, uma célula, um átomo, uma estrela, a lua.

Como o judaísmo vê a vida após a morte?

A alma é eterna e subdividida. A vida continua em outras realidades além da nossa (ilusória). Mas algumas almas retornam duas ou três vezes a esse mundo em outro corpo até acabar de cumprir a sua missão. A cabala é a única corrente dentro do judaísmo que defende o conceito de reencarnação. Para os judeus, quando o corpo morre, ele fica em algum lugar, aguardando a ressurreição.

A Congregação Mineira Israelita abriu um curso de cabala, que vai ser dado dentro de uma sinagoga, para não judeus. O que sinaliza essa abertura? Estamos vivendo um momento mundial muito especial e difícil. Muitas pessoas buscam a cabala, de outras formas, dentro de outras correntes religiosas. Está na hora de abrirmos esse conhecimento para o mundo, de revelarmos nossa tradição mística. A realidade extremamente materialista está criando um vazio existencial no homem, que busca um retorno à espiritualidade, um contato interno com o espiritual. No curso vamos tirar dúvidas, derrubar conceitos errôneos, mostrar que a linha mestra do misticismo judaico é o contato mais intenso com Deus. Vamos entender melhor o universo divino, humano e a natureza, assim como a importância dos nossos atos. O cabalista deve estar inserido na sociedade e buscar elevá-la ao nível espiritual. A cabala é comunitária e reinterpreta o texto bíblico.

O homem moderno está sem rumo?

A Árvore da Vida é como um fluxo de energia que sai do divino, desce até o humano e volta. No entanto, muitos canais estão bloqueados e essa energia não chega de forma pura e completa até nós. No sentido contrário, ela também não chega em toda sua potência e plenitude até Deus. E isso é triste. Não apenas nós dependemos de Deus. Deus depende de nós e também precisa de nossos atos corretos e de nossas orações.

Matrix healing

A tradição mística da cabala mostra que, em nosso mundo material, existe um outro mundo que não vemos, um universo de grande energia e poder de cura. O médico Raphael Kellman, especialista em clínica geral, formado pela Faculdade de Medicina Albert Einstein em Nova York, com pós graduação no Beth Israel Hospital, criou baseado nessa lógica, uma terapia que denominou “Matrix Healing”.

Segundo ele, embora nossos sentidos nos digam que existe apenas um universo que contém dor, sofrimento, doença e morte, a cabala explica que existem muitos universos. Ao sabermos de sua existência, podemos optar por ter acesso a eles, inclusive o universo no qual já estamos curados, felizes e perfeitamente realizados. Podemos eleger o universo onde somos perfeitamente unidos uns com os outros e com a força amorosa, que á a fonte suprema da criação”.

Kellman acredita que a saúde pode ser conquistada através da Árvore da Vida, “o universo paralelo onde já estamos perfeitamente saudáveis, repletos da luz do Criador. Essa é a terapia matriz, uma mistura de atividades físicas e espirituais, com base no software descrito no Zohar (acredita-se ser o texto original da cabala judaica) e em outros textos cabalísticos. Compreender a matrix é extrair conhecimentos tanto da sabedoria espiritual da cabala quanto da ciência vanguardista, da medicina do corpo e da mente e das últimas descobertas em anatomia, bioquímica e neurologia”, ensina.

Universo paralelo

O médico conta, em seu livro, que já viu pacientes seus se curarem do câncer, de doenças cardíacas e outras enfermidades graves. “Quando comecei a estudar a cabala fiquei curiosos com a idéia do universo paralelo que ela prometia, o que passei a chamar de matriz. No matriz já estamos curados. O paraíso está dentro de nós. Nessa terapia, como na cabala, a meta não é ser perfeito, mas tornar-se perfeito”, ressalta.

O caminho para a saúde, segundo Kellman requer que cada ser humano aprenda a ver o seu corpo em termos espirituais e físicos, explore o poder de cura dos alimentos por meio de uma alimentação consciente e nutrição vibrante, partilhe a água e torne-se igual ao Criador, trocando respostas reativas por proativas em todos os momentos do dia. Veja cada momento como uma oportunidade espiritual, utilize a prece como uma terapia, a meditação e o alfabeto hebraico, os quais, segundo a cabala, são os blocos construtores do universo.

Por fim, assumir seu lugar de membro amável e responsável da raça humana dentro da nova ecologia do espírito, reconhecendo como cada um de nós é profundamente afetado pela vida do outro”.